Se você é advogado ou dona de escritório, provavelmente já ouviu (ou disse) a frase “advogado não pode fazer propaganda”. E tecnicamente, isso é verdade… até certo ponto. O Código de Ética da OAB não proíbe marketing jurídico. Ele proíbe captação de clientela de forma mercantilista, o que é bem diferente de simplesmente existir na internet.

A boa notícia: dá para ter presença digital forte, atrair clientes qualificados e ainda dormir tranquilo sem receio de cair no radar da OAB. A má notícia: não é só criar um Instagram com fotos de terno e postar “ligue agora e resolva seu problema jurídico”. Isso sim é motivo pra processo disciplinar.

O que a OAB realmente proíbe

O Provimento 205/2021 da OAB atualizou as regras de publicidade para advocacia, e resumindo bem: são vedados o mercantilismo, a autopromoção exagerada, a promessa de resultado e qualquer coisa que pareça anúncio de loja de departamento. Frases como “ganhe sua causa” ou “indenização garantida” são praticamente um convite para uma sindicância.

Por outro lado, o provimento permite, e até incentiva, informação, educação e sobriedade. Isso significa que um escritório pode, sim, ter site, blog, redes sociais e até anúncios pagos, desde que o tom seja informativo, não comercial agressivo.

Exemplos práticos que funcionam (e não geram dor de cabeça)

Um advogado trabalhista pode publicar um vídeo curto explicando o que é rescisão indireta, sem nunca dizer “me contrate e eu resolvo isso pra você”. Um escritório de família pode manter um blog respondendo dúvidas comuns sobre guarda compartilhada, o que ainda ajuda o Google a entender do que o site trata (SEO de graça, digamos assim).

Um caso real e bem simples: um escritório de direito previdenciário em São Paulo passou a responder, toda semana, uma pergunta frequente sobre aposentadoria em vídeos de menos de um minuto no Instagram. Resultado: mais visibilidade, mais gente que já chega à consulta sabendo o básico (o que economiza um tempo enorme na reunião inicial), e nenhuma multa da OAB, porque em nenhum momento aparece “contrate já”.

Outro exemplo comum é o próprio site do escritório. Em vez de uma página genérica dizendo “somos os melhores em direito civil”, funciona muito melhor explicar, em linguagem simples, o que é uma ação de cobrança ou como funciona um inventário. Quem chega ali pesquisando já sente que encontrou alguém que entende do assunto, sem precisar de nenhum adjetivo exagerado.

O que pode, na prática

E o que evitar, mesmo que pareça tentador

Depoimentos de clientes elogiando o resultado do processo, comparações diretas com outros escritórios, e qualquer coisa que soe como “liquidação de 50% na causa trabalhista” (sim, isso já aconteceu, e não, não terminou bem para quem publicou).

Por que vale o esforço

Marketing jurídico bem feito não é sobre gritar mais alto que a concorrência. É sobre ser encontrado pela pessoa certa, no momento em que ela mais precisa, geralmente estressada, buscando no Google às 23h porque acabou de ser demitida ou está no meio de um divórcio. Se o seu escritório aparece ali, com conteúdo claro e sério, você já saiu na frente sem precisar prometer nada que não pode cumprir.

Vale lembrar também que consistência importa mais que volume. Um post educativo por semana, publicado com regularidade, tende a gerar mais resultado no médio prazo do que uma rajada de conteúdo em um mês seguida de silêncio total nos três seguintes. Marketing jurídico é maratona, não corrida de cem metros.

No fim das contas, marketing jurídico dentro das regras da OAB não é uma limitação chata. É quase um teste de bom gosto: separa quem sabe comunicar valor de quem só sabe gritar “compre agora”. E convenhamos, ninguém quer ser lembrado como o escritório do Reels constrangedor.